Deixa, mas não me deixa

Deixa eu me afogar no teu calor do peito, deixa eu transformar teu clichê mal expressado em reciprocidade aguda, deixa eu me perder nas curvas do teu corpo, deixa eu navegar sobre os teus anseios, deixa eu participar da tua loucura e fazer dela a minha sanidade, deixa eu me jogar no abismo da tua alma e conhecer o todos os teus lados, os bons e os ruins, deixa eu guardar o som da tua risada na memória pra quando eu estiver triste ela me servir de consolo, deixa eu cair no teu colo e chorar se preciso, deixa eu enxugar tuas lágrimas, tanta aquelas de tanto rir como aquelas de tanta angústia, deixa eu me acomodar no teu abraço e fazer ali minha morada, deixa eu me perder no teu olhar, deixa eu me orgulhar de ti, deixa eu entrar na tua casa interior, deixa eu controlar teu batimento, pra que ele possa bater igual ao meu, deixa eu chorar de saudade, deixa eu gritar de amor, deixa eu te tocar e transformar todas as tuas fantasias em realidade, deixa eu te amarrar comigo, deixa eu te fazer café, deixa eu te acompanhar até o ponto de ônibus, deixa eu cuidar de você, deixa eu fazer você esquecer dos seus problemas, deixa eu ser o remédio que vai curar a dor de cabeça, e deixa eu ser a droga que vai ativar a tua insônia, deixa eu escrever sobre a gente, deixa eu segurar tua mão no cinema, deixa eu escolher o filme, deixa eu deitar na tua cama, deixa eu me drogar no teu cheiro, deixa eu usar tua camisa, deixa eu tirar a tua roupa, deixa eu te irritar, deixa eu beijar a ponta do teu nariz, deixa eu te morder, deixa eu te fazer feliz como eu sempre quis, deixa eu te amar, deixa eu fazer tudo, deixa eu fazer nada, mas deixa e não me deixa. 

- Fica, mas não por mim, e sim pela minha poesia

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