À beira de abismos
Ela estava sorrindo e sentiu borboletas fazerem uma bagunça em seu estômago, percebeu que já era tarde pra voltar atrás, ela se sentiu como se estivesse em maio de 2013 e estivesse sido atingida com a mais rápida flecha do bendito cupido, ela sentiu um arrepio louco subindo rápido pelas suas costas, suas mãos estavam suando e seu coração voltou a bater naquela mesma frequência que fazia anos que não batia. Ela sabia que era incerto e que não dava pra confiar em que quebrou seu coração em mil pedaços a quase dois anos atrás, mas ela se sentiu viva novamente, e aquela vontade insana de querer estar viva era maior que qualquer medo. E mesmo que o tempo tivesse passado, seu coração machucado e um pseudo-relacionamento terminado, ela ainda estava sob vestígios do passado, pequenos detalhes como o perfume que ele usava, ou a blusa mais larga que ele tinha que ela ganhou como pijama, um filme em que os dois sempre assistiam juntos, ou aquela música que ela sempre pulava da playlist por que a fazia lembrar dele, seu corpo e sua alma estavam cobertos de lembranças que ela mesma prometeu esquecer e que ao invés de esquecê-las, ela as guardou para caso precisasse reavê-las e/ou revivê-las algum dia, sim, ela era esperançosa, mas que menina da sua idade não era? A esperança era a sua pior aliada, fazia com que ela se jogasse no fundo do abismo achando que lá embaixo teria alguém para segurá-la, até que um dia, num fim de tarde de uma sexta-feira qualquer, ela por um acaso, já nem sabia mais como era a sensação de estar à beira do abismo por alguém quando ele apareceu novamente em sua vida, e ela fez de tudo ou não fez quase nada para acreditar em suas palavras, mas como sempre, ela ficou hipnotizada por aquele par de olhos castanhos, e hoje ela deve estar por aí se jogando em abismos, se ele estava lá em baixo para segurá-la eu não sei, mas tomara que ele esteja lá por ela, até por que ele sabe que ninguém vai amá-lo mais que do ela já ama, e espero que um dia ele esteja pronto pra se jogar num abismo por aquela menina, assim como ele sabe, eu também sei que no final do abismo ela vai estar lá pra segurá-lo, e é isso que eu mais gosto nessa menina, a esperança que ela tem no amor.
- História de uma menina que gostava de se jogar em abismos
Comentários