Catarina, moça insana
E lá estava ela, jogada na calçada de uma rua escura, os bares já tinham sido fechados fazia tempo, era réveillon, ela queria o quê? As casas de festas estavam cheias, mas o bolso da sua saia curta estava vazio, tinha gastado o resto de suas moedas surradas com sua nova amiga Marijuana. Catarina era o nome dela, o nome que significa a pura, ou seja, tudo o que Catarina realmente não era, mas ela estava no seu auge, no auge do caos, tinha acabado de se soltar das garras de um otário boa pinta qualquer, ela era libriana, gostava do que era bonito, mesmo quando não se era bonito por dentro, e mesmo sem força nem senso, ela se levantou e ajeitou a blusa que deixava a mostra um piercing no umbigo, seu mais novo amigo, procurou o orelhão mais próximo discou o 9090 seguido do número da sua melhor amiga, ela tirou a armadura de orgulho que tinha carregado a noite toda e pediu ajuda. Catarina, era insana e desesperada, queria tudo numa noite só e por mais que estivesse chorado e dito que estava plenamente arrependida das besteiras que cometera nessa noite, ela sabia que faria tudo de novo, sabia que faria com outro, sabia que faria pior, era o que a fazia sentir viva já que tudo dentro de si desmoronava. Pra ela, estar à beira do perigo era seu palco favorito e interpretar alguém sem medo nunca foi difícil, o seu arrependimento era passageiro, ou era inexistente, eu nunca soube diferenciar, já que a doce e nada pura Catarina atuava bem, muito bem.
- Desastres de uma noite de ano novo, feliz 2015
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