Moça do cabelo pretinho

Certa vez eu me apaixonei por uma moça do cabelo pretinho e do olho pequeno, ela era um potinho de alegria, brilhava simplicidade naquele olhar, e a alma dela, ah, aquela alma era meu maior orgulho, aquela moça tinha nascido pra usufruir do dom materno, pois naquela alma tinha mais amor do que o coração de uma mãe. Eu nunca vou me esquecer das vezes em que ela pedia, com toda gentileza desse mundo, pra que eu me deitasse no colo dela e com um cafuné demorado ela me transparecia a vontade de cuidar de mim, e mesmo que eu nunca tenha precisado de cuidados, eu a deixava achar que eu precisava, a deixava achar que eu era o objeto frágil, sendo que pra mim, frágil era ela. Ou não. Talvez ela fosse mais forte do que eu imaginava, afinal, é necessário de força, não só física, pra aguentar os meus transtornos e todas as minhas oscilações de humor (e de personalidade). Desde o começo ela sempre soube que eu era o lobo com pele de cordeiro, figuradamente eu tinha dado à ela um contrato onde explicava que meu monstro interior era maior que eu, e que se ela o assinasse e decidisse ficar não haveria volta e mesmo assim ela não só assinou, mas como tomou pra si e o fez de manual e até hoje ela o usa pra saber lidar comigo, por mais que às vezes não consiga. Ela é forte, e eu nunca vou esquecer das vezes em que ela fez questão de dizer que me amava, por mais que eu ache que eu não mereça, ela quer porque quer trazer à tona o melhor de mim, parece que foi designado à ela esta missão, e Deus que me livre ficar sem ela e se um dia eu ficar, que esse dia seja o dia em que ela tenha completado essa missão. 

- De um estranho pra uma moça do cabelo pretinho 

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