Contos Insanos #1

Eu sou uma garota comum. Pernas esguias, seios 34, um traseiro no lugar, olhos grandes, castanhos e profundos e cabelos ralos e finos, que combinam um pouco com a minha personalidade fraca, tenho uma barriga reta e um piercing nela, nada demais, nada chamativo, apenas uma moça magrela, sem rumo, uma menina pequena. Sou pequena, de alma, de corpo, de voz, de tudo. Cheguei aos 18 anos virgem, por mais incrível que pareça. Não me sinto mulher, me sinto uma garota de 13 anos que vive uma fantasia eterna. Eu precisava me sentir mulher, realizada, completa. Eu precisava transar. Mas, eu não sabia por onde começar, eu sempre achei o assunto inválido quando se tratava de mim mesma. Nunca namorei, nem queria, aliás, queria sim, só que eu nunca me senti mulher o suficiente a ponto de deixar alguém me querer, até que um dia eu conheci um garoto, — vamos chamá-lo de Max — ele me tirava o fôlego, fazia eu me sentir bem comigo mesmo e a minha estranheza ridiculamente proporcional, foi ele quem fez eu me sentir mulher pela primeira vez, e nem estávamos namorando — ou próximo disso — quando aconteceu. Eu tinha dito para os meus pais que iria dormir na casa de uma amiga, porque Max tinha me pedido para ir dormir com ele. Eu fui. Eram quase 21h e nada dele, me encontrei em uma rua escura, deserta... eu, certamente, devia estar em algum estado de insanidade mental naquele dia. Ao chegar na casa dele, me deparei num lugarzinho precário e bagunçado que ele, gentilmente, chamava de apê — mas estava mais pra moquifo —, sentei na beira da cama, eu tinha, inocentemente, trazido uns filmes para assistirmos, mas não consegui falar nada que ele já estava tirando minha blusa, me oferecendo uma cerveja. “Dói menos se você estiver bêbada”, ele dizia. Então, me deparei num beco sem saída, não tinha pra onde correr. Bebi três latinhas como se fossem as últimas gotas de água no mundo. Aos poucos já estávamos nus, eu deitada, ele em pé, com aquele puta corpo maravilhoso. Eu me deliciava a cada instante, parte de mim o queria ali e agora, mas outra parte não queria que fosse assim. Eu estava apaixonada por um idiota de 21 anos, com cabelos cacheados maravilhosos e olhos claros brilhantes, eu, no fundo, sabia que estava cometendo um erro, mas eu precisava sentir na pele, deixei meu orgulho falar mais alto. Fui até o fim. No começo, era algo mais light, umas preliminares interessantes, fui tocada, o toquei. Depois, me senti como se estivesse sendo brutalmente assassinada por dentro, cada parte de mim estremecia e pedia ajuda, mas não saía som algum de mim, quis me manter firme o tempo todo. Depois de muita sujeira, encontrei prazer na dor, posso assim dizer que Max me fodeu, de todos os jeitos, de todos os lados, — e não é só de sexo que estou falando — fodeu a minha pureza, a minha sanidade, o meu livre arbítrio, fodeu minha alma, me deixou, literalmente, jogada na cama, virou-se e dormiu, naquele momento eu me senti tão só e abandonada, eu não sabia que era possível se sentir sozinha ao lado de alguém. Posso dizer que tudo isso me fortaleceu, hoje em dia, eu sou a mulher que eu sempre quis ser, ou achava que queria ser. Eu me senti mulher naquele dia, não foi como eu esperei, mas pensando bem, eu nunca esperei porra nenhuma de nada. Hoje eu tenho a atenção que eu sempre quis, ando por aí como quem não tem nada para se preocupar, sou uma mulher que veste o que quer, faz o que quer, transa com quem quer, e não dá a mínima pro que os outros pensam, como dizem por aí: “Enquanto as más línguas falam de mim, as boas me chupam”. Eu me chamo Catarina, de acordo com uns, sou uma moça problemática que encontra no sexo a resposta pelo vazio que eu carrego comigo, se eles estão certos eu não sei, a única coisa que sei é que meu nome significa “A pura”, e convenhamos, de pura eu não tenho — mais – nada.

- Passei um tempinho sem mexer por aqui por que, infelizmente, estou sem celular. Sobre o texto: resolvi sair da minha zona de conforto e escrever algo menos romântico, e algo mais pesado. Todo mundo que lê meu blog já deve conhecer a Catarina, ela se tornou uma forte personagem minha, ela é o meu (e até mesmo o seu) lado escuro, um lado sujo e safado que todo mundo esconde a sete chaves, um lado que parte de mim repugna mas que outra parte queria ser, ou queria ter essa coragem e força própria que ela tem, um lado insano mesmo. Então senti a necessidade de dar à ela um espaço chamado "Contos Insanos", que é nada mais nada menos que algumas histórias vividas por ela, essa é apenas a primeira de muitas. Leiam sem moderação! 

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