Contos Insanos #2
Eu odeio me apaixonar, eu me machuco ou acabo ferindo outra pessoa, é triste e desgastante aquela vontade de fazer morada na vida da outra pessoa, com ou sem a permissão dela. Jurei que não iria mais me apaixonar, dizia a mim mesma que ninguém mais veria Catarina apaixonada. Me apaixonei. Conheci um cara, diferente de todos que me envolvi, ele é malandro que nem eu, e achou mesmo que eu ia cair nos joguinhos dele, eu sou esperta, ele gosta disso em mim, ele me viu além do exterior, ele percebeu que eu não era uma simples vadia que ela podia comer e jogar fora, ele me viu como eu nunca tinha me visto antes e vice-versa, ele tem uns problemas e me deixa ser a cura deles, ele não se permite mas me permite que eu aja como eu quiser com ele, ele transborda vida e tem umas manias estranhas que eu adoro, somos iguais e diferentes na mesma proporção, e isso é totalmente clichê, acho que passei a gostar de coisas clichês. Ele sabe que eu vejo tudo o que ele é além daquele corpo — extremamente excitante —, ele sabe que não sou como as outras, ele sabe que eu já vivi muito e ele não se assusta, ele deixa eu ser eu mesma com todas as minhas neuroses e manias ridículas e ainda ri disso. Eu gosto do meu baseado e ele da sua cerveja, e mesmo eu não gostando tanto de beber, ele sabe que se pedir com jeitinho eu o acompanho com uns goles só pra querer estar perto dele. Ele joga comigo e sabe que eu sei jogar também, sabemos que podem passar milhares de outras, mas ele vai sempre voltar correndo pra mim, porque sabe que eu sou quem ele precisa, ele sabe, mas ainda não deixou a ficha cair. Ele me hipnotiza, me manipula, me tem. Possui uns olhos lindos e vez ou outra sorri com eles, ele me tira e me põe no chão inúmeras vezes por dia, ele é transparente como água, isso me deixa cada vez mais enlaçada. Eu nunca gostei tanto de gostar de alguém, vivo a metade de uma reciprocidade, mas eu continuo aqui, ele me faz forte, não por mim, mas por ele, eu sinto uma vontade enorme de cuidar dele, porque eu sei que ele precisa — mas morre negando —, eu quero e vou estar sempre do lado dele, sou sua musa, sua inspiração, sua parceira, cúmplice, somos uns foras da lei que rimos com qualquer besteira, o senso de humor dele é parecido comigo, a loucura dele é exatamente a mesma que a minha, acho que em alguma vida passada éramos almas gêmeas, eu não acredito nisso, mas por ele passei a acreditar, vivo imaginando coisas absurdas conosco, ele é dono das minhas fantasias e sabe disso como ninguém. Ele me deixa sem vontade estar com outros, me deixa sem vontade de sair, ele me fez crescer, ele fez cair a ficha da vida pra mim, fez eu acordar, fez eu me sentir a mulher que eu nunca consegui ser, com ele não é só sexo, não é só carne, apesar dele ser capricórnio, ele se mostra ser levado — na maioria das vezes — pelo o que sente e pelo o que acredita. Eu gosto dele e eu sei que ele gosta de mim, e eu estou gostando do resultado, sei que vamos ser mais do que somos, o destino sussurra que ainda temos muito pra viver. Com ele eu sou menos o que sou e mais o que eu queria ser. Eu ainda acho que esse negócio de estar apaixonada é loucura, mas do lado de quem gosta do meu lado louco descobri quão bom é ser louca.
– Mais um conto da Catarina, sim, ela se apaixonou, e mergulhou fundo nisso, já fui Catarina em algum momento da vida e sei que muita gente tambem. Eu a adoro em todos os sentidos, todos os contos dela são baseados em histórias reais, e isso faz a — personagem — Catarina ser viva pra mim. Espero que se identifiquem ou que apenas apreciem a leitura.
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